As mulheres representam hoje 54 % dos compradores de primeira viagem segundo o barômetro BPCE-L’Observatoire-Audirep (dados 2024-2025). A questão não é mais saber se as mulheres compram, mas como elas compram, com quais meios e enfrentando quais restrições específicas. Este artigo mede as diferenças concretas entre perfis de compradoras e identifica os fatores que realmente influenciam o sucesso de um projeto imobiliário realizado sozinha ou em dupla.
Aporte pessoal e duração do crédito: as variáveis que mudam tudo
O barômetro BPCE-L’Observatoire-Audirep revela que os compradores de primeira viagem têm, em média, um aporte inferior ao de todos os compradores. A duração do crédito prevista atinge 23,5 anos contra 22,2 anos em média para todo o mercado. Essa diferença de mais de um ano pesa diretamente no custo total do financiamento.
Para uma compradora de primeira viagem cujo salário é estatisticamente inferior ao de seu homólogo masculino, cada mês adicional de pagamento comprime o restante a viver. O cálculo da taxa de endividamento não leva em conta a carga mental relacionada à gestão do lar, mas penaliza mecanicamente uma renda líquida mais baixa.
| Critério | Compradores de primeira viagem (média) | Todos os compradores (média) |
|---|---|---|
| Duração do crédito | 23,5 anos | 22,2 anos |
| Aporte pessoal | Inferior à média global | Mais alto (patrimônio anterior) |
| Participação das mulheres | 54 % | Dado não detalhado |
Várias estratégias permitem compensar um aporte mais modesto. Para comparar os dispositivos de ajuda e as opções de financiamento adequadas às compradoras de primeira viagem, o site imobiliário de La femme s’entête reúne recursos úteis sobre o assunto. A chave é simular precisamente o restante a viver após a mensalidade, não apenas a taxa de endividamento bruto.

Mercado antigo ou imóvel novo: onde está a oportunidade em 2025
As aquisições de imóveis antigos cresceram 18,6 % em 2025, enquanto o investimento em imóveis novos caiu 14,4 %. Esse contraste naturalmente direciona os projetos para o antigo, mas é preciso medir as implicações.
Um imóvel antigo oferece um preço por metro quadrado geralmente mais acessível e uma escolha geográfica mais ampla, incluindo nos centros urbanos. Por outro lado, os custos de reforma energética podem aumentar significativamente o orçamento total. O desempenho do diagnóstico de desempenho energético (DPE) agora condiciona a possibilidade de alugar o imóvel em caso de projeto locativo.
Reforma energética e restrições locativas
Um imóvel classificado como F ou G no DPE enfrenta restrições progressivas para locação. Para uma compradora que considera um investimento locativo como alavanca patrimonial, integrar o custo da reforma energética no plano de financiamento inicial muda radicalmente a rentabilidade projetada.
- Estimar o custo das obras de reforma energética antes da assinatura do compromisso, não depois
- Verificar a elegibilidade para ajudas públicas (MaPrimeRénov’, eco-PTZ) com base no DPE atual e no DPE alvo
- Integrar esses valores na solicitação de crédito para beneficiar de uma taxa única em vez de um empréstimo para obras separado
Esse peso do imóvel no orçamento torna cada decisão financeira determinante em uma primeira compra.
Comprar sozinha: o que os dados revelam sobre o crédito imobiliário
Os dados do corretor Pretto indicam que 6 em cada 10 mulheres que tomam empréstimos o fazem sozinhas. A idade média dessas tomadoras de empréstimos está em torno de 38 anos. Esse perfil geralmente corresponde a uma estabilidade profissional adquirida, mas também a um momento em que as despesas fixas já são altas.
Tomar um empréstimo sozinha significa que o banco avalia uma única renda para calcular a capacidade de empréstimo. O fator para melhorar o dossiê não se limita ao salário. A poupança regular, a gestão saudável das contas nos últimos seis meses e a ausência de créditos ao consumo em andamento pesam tanto na decisão do comitê de crédito.

Apoio familiar e doações: um acelerador frequente
O apoio familiar continua sendo um fator determinante na aquisição da propriedade. Uma doação, mesmo modesta, pode transformar um dossiê bancário ao reduzir a duração do empréstimo ou ao diminuir o montante emprestado abaixo de um limite que desbloqueia uma taxa melhor.
Formalizar essa ajuda por meio de um ato notarial protege todas as partes. Uma transferência informal pode causar dificuldades fiscais ou jurídicas em caso de sucessão. A clareza da estrutura financeira também tranquiliza o banqueiro.
Venda, gestão locativa e rede profissional feminina
As mulheres que investem em imóveis para locação enfrentam as mesmas obrigações de gestão que qualquer locador, mas algumas especificidades merecem atenção. A gestão locativa delegada representa um custo (geralmente uma porcentagem do aluguel), mas garante a segurança jurídica: redação do contrato, vistoria, cobrança de inadimplentes.
- Comparar pelo menos três orçamentos de gestão locativa antes de assinar um mandato
- Verificar se o gestor oferece uma garantia de aluguel não pago (GLI)
- Assegurar que o mandato especifique as condições de rescisão e as taxas de saída
- Juntar-se a uma rede local de investidoras para compartilhar experiências e contatos de artesãos confiáveis
A escolha entre gestão direta e gestão delegada depende do tempo disponível e da proximidade geográfica com o imóvel. Um imóvel localizado a mais de uma hora da residência justifica quase sempre uma delegação, nem que seja pela reatividade em caso de emergência técnica.
O mercado imobiliário agora é lido através de dados que tornam as decisões mais objetivas. Compradoras de primeira viagem em maioria, crédito mais longo, imóveis antigos em alta, novos em queda: essas tendências desenham um quadro preciso. O sucesso de um projeto imobiliário depende menos do gênero e mais da rigorosidade da estrutura financeira e da qualidade da informação utilizada para decidir.



